Segunda, 6 de Julho de 2009
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Publicado por Cinthya Nunes em 06 Jul 2009 | sob: Sem Categoria
Inadimplência assusta setor educacional
O jornal Estado de São Paulo veiculou hoje, dia 06 de julho, nota sobre o alto índice de inadimplência no setor educacional.
Próximo aos 35%, o número de inadimplentes na região metropolitana é preocupante. Ainda que aferido em um aspecto geral, havendo IES que, seja pela solidez, seja por mecanismos de prevenção ou pela dimensão, trabalhem com índices menores, menos alarmantes, não é possível ignorar que, caso esse índice não apresente redução nos próximos meses, o setor estará correndo risco de enfrentar uma séria crise.
A inadimplência no pagamento das mensalidades escolares havia sofrido uma diminuição em 2007, mas retomou crescimento em 2008. É fato que o mercado mudou, em vários sentidos: de um lado, uma crise econômica mundial que, mesmo mascarada, não pode ser ignorada, provocando desempregos e o conseqüente endividamento das famílias. De outro, o próprio perfil das instituições de ensino se alterou com o surgimento de grandes grupos que, fortalecidos pela extensão, número de campis e de alunos, investidores e políticas de proteção eficazes. A par desses grupos, que são dotados de alternativas para evitar a inadimplência em números perigosos para a saúde da empresa, ainda há as instituições pequenas, familiares, muitas delas não adaptadas ao novo padrão do mercado, onde a concorrência pode oferecer mensalidades mais enxutas, com menor risco interno.
Fato inegável é que não interessa a ninguém a quebra das instituições de ensino. Em não se tratando de fechamento por ausência de qualidade, quando se toca outra seara, o fechar de portas de uma IES somente tem conseqüências indesejadas, como demissão de funcionários, alunos que precisam ser remanejados, entre outros. Ironicamente, muitas vezes, instituições que entram em colapso econômico são conhecidas por elevado padrão de qualidade de ensino, marcado por políticas de valorização docente, de infra-estrutura e filosofia de ensino positivamente diferenciadas. Não afetas às exigências de mercado, considerando o baixo poder aquisitivo de grande parte dos novos ingressantes no ensino superior, o público oriundo as chamadas classes D e E, várias instituições de ensino acabam sem alternativa diante de folhas de pagamento inchadas, altos custos gerais e inadimplência de um terço dos alunos.
A educação, sem sombra de dúvida, não pode se resumir somente a uma atividade comercial, inescrupulosa e faminta por lucros, mas não dificilmente sobreviverão as instituições que não se adaptarem aos novos contornos do mercado e do alunado.
Quanto à crise econômica que permeia quase todo o mundo, globalizada que está, pouco podem, sozinhas, as instituições de ensino, como aliás pouco podem os próprios mercados internos de cada país, mas com políticas de planejamento específicas, talvez seja possível reduzir o impacto dela, ao menos até que o cenário mundial se defina.
A par disso, ainda há que se considerar que, infelizmente, para as instituições de ensino, por conta da legislação em vigor, até mesmo a cobrança do aluno inadimplente se torna tormentosa, sendo comum, para quem milita no meio, o conhecimento de alunos que, paga a primeira mensalidade, tem a convicção de garantir, até mesmo nos tribunais, boa parte do curso sem pagar.
Não raras vezes, alguns desses alunos possuem bons carros, celulares de última geração, mas, embora não desejem parar a faculdade, não a tem como pagamento prioritário.
Seja por algum desvio de prioridades e de caráter, seja pela ausência de recursos, praticamente um terço dos alunos, em termos estatísticos, de forma geral, em 2008, deixou de honrar com o pagamento das mensalidades…
Eis aí uma equação complexa, que vem desafiando, cada vez mais, mas não tão recentemente, os gestores educacionais. Afinal, há que se sobreviver, mas sem se esquecer do fim maior da educação…